terça-feira, fevereiro 27, 2007

Conferências do Castelo

"A Situação no Médio Oriente"

Dia 8 de Março às 21h30 no auditório da Universidade Católica Portuguesa - Porto

Mais informações em: http://www.idn.gov.pt/index2.php

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

"A UE precisa de um novo arranque", afirmou o presidente do PE

No discurso inaugural do novo presidente do Parlamento Europeu depois de ter sido eleito em Janeiro, Hans-Gert Pöttering defendeu uma Europa "melhor, mais forte e virada para o futuro". Para isso, a União "precisa de um novo arranque, de uma renovação...".

Defender os valores da Europa, realizar reformas e fomentar o diálogo são os três eixos prioritários da presidência de Hans-Gert Pöttering para os próximos dois anos e meio. A aposta numa "Europa dos cidadãos", o fomento de reformas "pela democracia e pelo parlamentarismo" e a promoção do "diálogo com o objectivo da associação e da tolerância" irão reger a actuação do alemão que, desde Janeiro, lidera os destinos do hemiciclo europeu.
Entre os principais objectivos, o Tratado Constitucional está no centro das preocupações: A União Europeia é "um continente complicado", composto por 27 países e 500 milhões de habitantes e não pode continuar a ser dirigida com os instrumentos insuficientes dos actuais Tratados, disse.
"Não entendo os que, por um lado, criticam Bruxelas mas ao mesmo tempo rejeitam o Tratado Constitucional, que precisamente constitui o meio para contribuir para a supressão e para a correcção das deficiências detectadas", sublinhou.
Para uma plateia constituída por eurodeputados, pela chanceler alemã, Angela Merkel, que assume actualmente a presidência da União Europeia, por José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia e por dez ex-líderes do Parlamento Europeu, Pöttering não deixou de lado algumas críticas aos "egoísmos nacionais". "Quem apenas serve os interesses do seu próprio país, acaba por prejudicá-los porque destrói a solidariedade necessária para a defesa dos seus próprios interesses", apontou.
A nível de política internacional, defendeu o desenvolvimento de uma associação com a Rússia, o direito de existência de Israel e a criação de um Estado palestiniano.
Quanto às preocupações dos cidadãos europeus para as quais "há que encontrar soluções", Pöttering enumerou o desejo de segurança e a luta contra o terrorismo, a necessidade de criar emprego e a protecção social, a luta contra as alterações climáticas e contra a pobreza e o desenvolvimento de uma política comum de imigração, que não permita que cada vez mais pessoas percam as suas vidas nas águas do Mediterrâneo".
Estes e outros problemas não se podem resolver, na sua opinião, "sem soluções europeias". Mas a tarefa não é fácil: "A UE precisa de um novo arranque, de uma revolução. É certo que o caminho é penoso, mas estou profundamente convencido de que o nosso continente está hoje mais bem preparado que há 15 ou 20 anos para fazer frente ao seu futuro no século XXI", destacou.
"A unidade europeia é, não apenas um objectivo que dita o nosso entendimento mas também um desejo que nos pede o coração". E um aspecto que caracteriza a Europa é a defesa dos seus valores, fundamentalmente da dignidade da pessoa e dos direitos humanos em todo o Mundo.

Nota informativa do Parlamento Europeu

Os pacotes das relações entre China e África

Por: Fernando Casimiro
África é um continente e a China um extenso país, o mais populoso do mundo.
A China é um império, povoou regiões do continente asiático, levou os seus usos e costumes a outras terras e povos do mundo.
A China define-se como uma República Popular, dirigida por um Partido comunista. De popular talvez o facto de ser o mais populoso do mundo. De orientações comunistas talvez pelo facto do Partido que dirige o país ainda continuar a chamar-se Partido Comunista Chinês.
A China que se conhece não é a China onde os chineses têm liberdades, direitos e garantias como cidadãos com direitos e deveres num Estado de Direito.
A China que se vê emergir não é uma China com estruturas económicas e de desenvolvimento do tipo-padrão que caracterizam as economias e sociedades comunistas, mas sim as economias e sociedades capitalistas.
A China tem jogado uma estratégia entre a sustentação das ideologias comunistas para fugir à responsabilização dos critérios da abertura à democratização mas, em simultâneo, tem acelerado as suas reformas económicas seguindo precisamente orientações antagónicas à ideologia comunista e assentes na definição prática dos conceitos macroeconómicos da ideologias capitalistas.
A necessidade de se modernizar para melhor se expandir, fez com que a China projectasse uma política externa digna do termo, tendo como base a sustentabilidade dos seus negócios e a rentabilidade do capital nos pacotes das várias estratégias definidas consoante a zona de interesse e de intervenção.
A China definiu a sua estratégia de crescimento e de desenvolvimento, tendo como propósito disputar com as principais potências mundiais a garantia das reservas das principais matérias primas energéticas que sustentam o desenvolvimento industrial a nível mundial. É esta garantia e controlo de reservas de matérias primas energéticas que fazem a diferença e farão cada vez mais, na determinação e sustentação das superpotências.
Um espaço privilegiado e com variadíssimas reservas de produtos minerais energéticos é precisamente o continente africano.
Privilegiado por não ser concorrente na busca de garantias de um futuro melhor para os africanos e por assim dizer, não definir políticas de desenvolvimento com aproveitamento próprio dos seus recursos minerais energéticos, como também, por deixar que se explorem as suas riquezas a troco de contrapartidas financeiras que nunca vão de encontro aos valores dos produtos e muito menos da salvaguarda e benefício de interesses dos povos e países africanos, mas sim dos seus governantes.
A China estudou o percurso europeu em África tanto da época da colonização, como das revoluções e do período de estabelecimento de afinidades numa nova relação das antigas potências coloniais com os novos países africanos.
A China sabe que muito do sucesso do desenvolvimento da Europa teve como base de sustentação o continente africano não só pelos seus recursos naturais, mas também pelos seus recursos humanos.
A China sabe igualmente que a Europa pouco investiu na valorização do continente africano, particularmente nos seus recursos humanos, atitude esta no sentido de se criar uma dependência crónica entre a Europa e a África no que ao domínio tecnológico e ao controle do dirigismo das iniciativas de desenvolvimento diz respeito.
A China sabe o que os europeus deixaram em África, mas também o que levaram e têm levado de África.
A China sabe o que os europeus têm dado hoje em dia a África mas sabe, acima de tudo, o que os governantes africanos preferem receber mas que o critério dos programas de cooperação dos países europeus nem sempre aprova.
De estudo em estudo, a China criou e definiu pacotes na sua missão de parceria estratégica com a África, não para ajudar o continente africano a desenvolver-se, mas sim, tal como na época da colonização europeia, também ela, a China, aproveitar-se das riquezas de África para sustentar as necessidades enormes da sua rede de desenvolvimento, cujas reservas dependem essencialmente de matérias primas energéticas que a China necessita em grandes quantidades.
Se outrora os africanos foram enganados pelas artimanhas dos primeiros colonizadores europeus, hoje, a táctica da China consiste em financiar projectos nem sempre propostos pelos governantes africanos, mas incluídos em pacotes de oferta apresentados pela China, numa reposição clara da estratégia colonial.
Sabe-se que a China faz deslocar todos os meios para concretizar/executar os projectos anunciados, desde simples pregos até mão de obra.
Sabe-se que a China consegue desta forma exportar os seus produtos sem ter concorrência ou restrição e rentabilizar todo o investimento porquanto o dinheiro aplicado ser uma estratégia de engenharia financeira com contrapartidas superiores ao investimento e, sobretudo, com retorno total à proveniência: China!
A China estudou igualmente a questão das relações internacionais e tem-se aproveitado da ambiguidade de posicionamentos e conveniências quer dos europeus, quer dos americanos para, na sombra, tirar proveito da sustentação da sua política de indiferença quanto aos direitos humanos e, assim, fugir à linha da não indiferença pela ingerência nos assuntos internos, como forma de salvaguardar uma relação de promiscuidade com os regimes ditatoriais africanos e em defesa dos seus interesses, ou não fosse a China exemplo reconhecido de atropelos aos direitos humanos!
No entanto, esta forma de agir da China não é estranha ao mundo dito desenvolvido, que cada vez mais se insurge contra as investidas da China no continente africano.
Esta atitude quer da Europa quer dos Estados Unidos de denunciar a pretensa hipoteca das reservas minerais energéticas de África pela China, da forma como tem sido feita, só surge devido ao sucesso da política externa chinesa, concretamente dos pacotes para África e que têm surtido efeito na implantação estrutural da China no continente negro.
Se as movimentações chinesas estão a conseguir viciar os conceitos de cooperação entre nações e povos, muito disso resulta por culpa das estratégias erradas de relacionamento com África e com os africanos, tanto por parte da Europa, como dos Estados Unidos.
Uma estratégia sempre baseada em contrapartidas materiais imediatas, sem considerandos práticos no assumir de princípios e na defesa de valores universais que moralizem as boas práticas que tanto a Europa, quer os Estados Unidos defendem para si.
As políticas de cooperação traçadas e seguidas pelos governantes africanos são na sua maioria sustentadas por conveniências de planos normalmente elaborados pelos parceiros económicos europeus e americanos. Políticas nem sempre baseadas na transparência e de que hoje se faz uso e abuso em África para dar à China a oportunidade que a Europa e os Estados Unidos, em boa verdade menosprezaram no sentido de fazerem mais e melhor pelo desenvolvimento do continente africano.
Mas se os europeus e americanos não fizeram mais e melhor até aqui, muito menos os chineses conseguirão fazer, sendo que é mais fácil a revisão dos erros estratégicos por parte dos europeus e americanos no sentido de uma nova aposta de desenvolvimento sustentado, baseado em fórmulas de reciprocidade de vantagens igualmente sustentadas, com os países africanos no sentido de um novo marcar de pontos na estratégia de relacionamento com África, do que permitir a expansão chinesa no continente.
Os africanos deverão ter em conta que não há desenvolvimento sustentável sem haver liberdade e as memórias da colonização estarão sempre presentes para clarificar as dúvidas neste sentido.
Quem tiver boas intenções para África, deverá ter boas intenções para os africanos e não olhar simplesmente para as riquezas naturais do continente negro e muito menos sustentar e apoiar ditaduras em África, fechando os olhos às matanças, à fome, às doenças, numa palavra; às desgraças de África e dos africanos vítimas dos seus governantes apoiados pelos interesses das potencias mundiais!
Gostaria de ver África afirmar-se, criando estruturas de desenvolvimento próprio e no terreno, de forma a evitar a dependência. Claro que seria sempre uma estratégia com recurso a parcerias, mas de forma a permitir que África tenha tudo de bom que outros continentes têm!


terça-feira, fevereiro 20, 2007

Portugueses entre os mais pobres da UE

Portugal é um dos países da União Europeia onde o risco de pobreza é mais elevado, sobretudo entre as pessoas que trabalham, apesar de vários Estados-membros terem níveis de riqueza muito inferiores.

http://publico.clix.pt/shownews.asp?id=1286192&idCanal=90

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

UE - crescimento superior ao previsto para 2006

A União Europeia e a zona euro registaram em 2006 um crescimento inédito desde o ano 2000.
Segundo as estimativas publicadas dia 13 de Fevereiro, em Bruxelas, o PIB da zona euro progrediu 2,7% em 2006, quase duas vezes mais do que em 2005.
Para o conjunto da União, o crescimento atingiu os 2,9% (contra 1,7% em 2005), sendo, no entanto, ainda inferior ao crescimento dos Estados Unidos: 3,4% para 2006.
Esta performance deve-se a bom desempenho das exportações e ao dinamismo do consumo, principalmente na Alemanha.
Contudo, as divergências persistem no seio da zona euro. Se, por um lado, a Alemanha se torna a locomotiva económica da União, com um crescimento de 2,7% em 2006, semelhante ao do Reino Unido, por outro, a França tem um desempenho mais modesto que a deixa ao mesmo nível da Itália com 2%.
Já Espanha se confirma como a mais dinâmica das grandes economias da União monetária, com um crescimento de 3,8%.
Fora da zona euro, os novos membros registam valores abaixo da média.
Segundo Joaquin Almunia, comissário europeu para os assuntos económicos e monetários, a Comissão Europeia mantém-se "confiante, mas prudente" em relação ao crescimento para 2007.

Fonte: Le Monde

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Kosovo é "uma das questões fundamentais" da presidência portuguesa da UE

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Manuel Lobo Antunes, garantiu hoje que o processo relativo ao estatuto da província sérvia do Kosovo será "uma das questões fundamentais" durante a presidência portuguesa da União Europeia (UE).
Contactado telefonicamente em Belgrado pela Lusa, Manuel Lobo Antunes falava depois de um encontro com as autoridades sérvias, em que foram passadas em revista as relações com os 27, a situação interna naquele país e a questão do estatuto do Kosovo."Foi sobretudo uma missão de informação e conhecimento, extraordinariamente útil", disse o secretário de Estado português, sublinhando a abertura das autoridades sérvias para negociar o estatuto do Kosovo, administrado pela ONU (MINUK) desde meados de 1999.
Nestas negociações, a reatar previsivelmente na segunda quinzena do mês sob os auspícios do finlandês Martti Ahtisaari, mediador da ONU, Belgrado defende uma autonomia alargada para o Kosovo - que considera o berço da sua nacionalidade -, onde a maioria albanesa está empenhada na independência.


PUBLICO.PT

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

A China...

José Socrates e uma comitiva de ministros, secretários de estado e empresários estão agora de visita à China para aprofundar relações diplomáticas e económicas, ou seja, para mostrar consideração e respeito pelo gigante que agora acorda. Respeito que será talvez medo, gigante que será talvez monstro.
Na China, séculos de tempo de desenvolvimento condensaram-se numa vitalidade impressionante em que se conjugam uma mão-de-obra abundante com salários do tempo da revolução industrial e fábricas equipadas com máquinas de última geração.
Mercado apetecível é também um concorrente cruel para o qual a construção económica supera qualquer tentativa de jogos politicos. Jogos que permitem, por exemplo, que a União Europeia tenha em vigor um subsídio ao abrigo do qual as vacas recebem mais de 2 dólares por dia - mais do que o rendimento diário médio de 700 milhões de chineses.
Por tudo isto a China representa hoje um dos maiores desafios para o modelo social-democrata europeu que terá de encontrar novos processos que permitam a manutenção das suas indústrias, postos de trabalho e nível de vida.
Nenhum modelo até agora usado se encaixa nesta nova disposição politico-económica.
O centro de atracção económica deslocou-se e a velha Europa e os Estados Unidos são confrontados com grandes dilemas.
Haverá compatibilidade entre o Ocidente e o Império do Meio?