quarta-feira, novembro 29, 2006

Erdogan afirma ter recebido o apoio do papa para a entrada da Turquia na UE

O papa Bento XVI chegou terça, dia 28, a Ancara onde deu início a uma visita de quatro dias à Turquia.
Segundo o programa estabelecido deveria ter sido recebido no aeroporto pelo Ministro de Estado turco mas foi o próprio Primeiro-Ministro, Recep Tayyip Erdogan quem o recebeu. Um gesto diplomático importante uma vez que Erdogan era acusado de tentar evitar o sumo pontífice depois da polémina provocada pelas declarações do papa sobre do Islão.
Acerca das divergências entre os dois, o Primeiro-Ministro turco afirmou ter recebido o apoio de Bento XVI para a entrada da Turquia na União Europeia.
Apoio esse que contraria as afirmações do papa, quando era ainda cardeal, considerando a admissão da Turquia na UE "um grande erro".
Essa opinião é hoje vista como pessoal, não reflectindo a posição oficial do Vaticano.
A população turca, 99% muçulmana, mantem-se maioritariamente indeferente à visita papal, embora se ressinta ainda das declarações do papa em Ratisbonne quando este associou o Islão à violência.
Ancara tenta a todo o custo dar uma boa imagem do país numa altura em que as negociações de adesão com a UE atravessam sérias dificuldades.
Quanto a Bento XVI, depois dos grandes avanços do papa João Paulo II em relação à tolerância religiosa, cabe-lhe assumir a sua função não apenas de líder religioso como também de diplomata.

segunda-feira, novembro 27, 2006

José Manuel Barroso: 2 anos na Comissão Europeia

A 22 de Novembro José Manual Barroso completou dois anos à frente da Comissão Europeia.
Que balanço fazer destes dois anos?
Para os portugueses, que tanto se orgulham de Josés Mourinhos e Cristianos Ronaldos, não se impõe fazer um balanço, uma vez que presidir a um dos mais importantes cargos europeus e mundiais não é algo que mereça grande consideração. José Manuel Barroso será sempre o Durão que abandonou o seu país por um "tacho" na Europa.
O que infelizmente os portugueses não percebem é que esse "tacho" é um cargo de alto prestígio e que directa ou indirectamente acaba por beneficiar o nosso país.
Um cargo que exige total dedicação, empenho e fé num projecto tantas vezes posto em causa.
Passados dois anos Barroso teve já tempo para conhecer os cantos à casa, inteirar-se das matérias e reconhecer os obstáculos. Penso que só a partir de agora se poderão efectivamente começar a registar as características da sua presidência.
E grandes desafios se aproximam: incorporar dois novos membros em 2007 na família europeia, a questão da Turquia, o relançamento da Estratégia de Lisboa, a Constituição Europeia e um sem número de dossiers pendentes, numa altura em que reina a incerteza a nível internacional com as eleições francesas, a vitória democrata nos Estados Unidos, a desconfiança em relação a Putin...
Um presidente da Comissão Europeia que muitos consideram ter sido escolhido por ser facilmente manipulável terá agora a oportunidade de se afirmar e o desafio de colocar a Europa no mapa internacional com o peso, importância e respeito que lhe é devido, tentando, e talvez esse seja o maior desafio de todos, (re)conquistar a confiança dos cidadãos europeus.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Portugal aproveitará presidência da UE para melhorar relações com a Índia

Portugal deseja melhorar as suas relações com a Índia, que rarearam nos últimos anos, aproveitando, nomeadamente, uma visita presidencial e a sua presidência da União Europeia em 2007, disse João Gomes Cravinho.
"Temos um défice de contactos a nível político e económico com a Índia, mas o ano de 2007 é um ano de grande oportunidade para o relacionamento entre os dois países", afirmou em Berlim o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, que efectuou uma visita, na segunda e terça-feira, ao segundo país mais populoso do mundo.
Em Janeiro, o Presidente da República, Cavaco Silva, deverá realizar uma visita oficial à Índia, a segunda de um chefe de Estado português, 15 anos depois da deslocação de Mário Soares àquele país.
Com Portugal na presidência da União Europeia no segundo semestre de 2007, realizar-se-á, em Novembro do próximo ano, a Cimeira UE-Índia, em Nova Deli, em que a delegação da União Europeia será chefiada pelo primeiro-ministro, José Sócrates.
O chefe do governo português deverá aproveitar a sua deslocação para fazer logo a seguir uma visita bilateral à Índia, a primeira a este nível entre os dois países.
Com este conjunto de actividades, Portugal "tem amplas condições para colocar num patamar completamente diferente o seu relacionamento com a Índia", sublinhou João Cravinho, durante uma passagem por Berlim, no regresso de Nova Deli.
Portugal, acrescentou o secretário de Estado, tem muitos temas em comum com a Índia, e tentará também fortalecer as relações económicas com um país que tem 1,2 mil milhões de habitantes, uma classe média entre 250 milhões a 300 milhões de pessoas e está em pleno crescimento.
Do ponto de vista internacional, a Índia tem igualmente um papel crescente a desempenhar, e essa foi uma das razões que levou Portugal a apoiar a candidatura indiana a membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em conjunto com a Alemanha, o Japão e o Brasil.
"Vemos também a Índia como um interlocutor cada vez mais relevante para o continente africano, e como um país-chave para o desenvolvimento da arquitectura de segurança e da arquitectura económica da Ásia", disse João Cravinho.
Por sua vez, a Índia considera que o trabalho de Portugal na União Europeia é de primeira importância" para o relacionamento entre a União Europeia e a Ásia.
Os indianos manifestaram também muito interesse em dialogar com Portugal sobre questões africanas, adiantou João Cravinho, destacando a forma "muito prestigiante" como foi recebido, enquanto representante do Estado português, uma forma diplomática de Nova Deli mostrar o seu interesse nas relações bilaterais com Lisboa.
A questão da antiga colónia portuguesa de Goa, ocupada pela Índia em 1961, em pleno salazarismo, foi, na opinião de João Cravinho, "um episódio triste" da história portuguesa "que não foi preciso explicar às autoridades indianas, porque eles compreendem bem o problema", acrescentou.
O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros aproveitou uma palestra que fez na Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Deli, para explicar que o Portugal de 1961 nada tem a ver, em matéria de política externa, com o Portugal de hoje.
"Esse é, aliás, um dos nossos desafios, mostrar à opinião pública indiana o que é o Portugal moderno, porque a imagem, algo retrógrada, do Portugal de 1961, do Portugal derrotado por Nehru, ainda tem alguma expressão" no grande país asiático.
O problema de milhares de cidadãos indianos, nomeadamente de Goa, Damão e Diu, que obtêm nacionalidade portuguesa por meios ilícitos, não foi debatido durante a visita, adiantou ainda João Cravinho.
"Não é um problema político, o que se passa é que há alguns advogados menos honestos que ganham a vida ludibriando pessoas mal informadas, dizendo-lhes que podem arranjar-lhes passaportes ou vistos de residência em Portugal", explicou.
O secretário de Estado garantiu, no entanto, que se trata de "um problema de ordem policial", e que as autoridades portuguesas têm detectado numerosos documentos falsos, e recusado os pedidos de vistos em causa.
João Cravinho reconheceu, no entanto, que a acção das autoridades não bastou para impedir que muitas pessoas "continuem a ser ludibriadas por falta de informação".

AGÊNCIA LUSA

Encontro UE - Rússia: incerteza acerca das negociações

O presidente da Comissão Europeia José Manuel Barroso terá hoje a sua cimeira anual com o presidente russo Vladimir Putin.
Na agenda estarão o novo acordo de parceria entre a Rússia e a UE, o comércio e integração económica, energia, migração e outros aspectos do chamado ‘espaço comum‘ e relações internacionais.
A incerteza paira sobre as negociações muito devido às reservas demonstradas pela Polónia em relação a certas directivas.
A decisão de lançar estas negociações para um novo acordo surge porque a parceria actual data de 1997 e está já desactualizada.
Assuntos de carácter internacional também serão discutidos como a situação no Irão, no Médio Oriente e Coreia do Norte. A Geórgia também será um assunto focado numa tentativa de promover o diálogo entre Moscovo e Tbilisi.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Sugestão de Leitura

"Considerações sobre a desgraça árabe" é um livro polémico da autoria de Samir Kassir, historiador e jornaista árabe assassinado em 2005 em Beirute.
O autor lança pistas sobre o passado do mundo árabe e como esse passado poderá ou não influenciar o futuro.
Porque a desgraça árabe não tem de ser uma fatalidade.

SIC Notícias tem novo programa sobre a Europa

‘Made in Europa’ é o novo programa da SIC Notícias sobre a União Europeia. Estreou esta semana e irá incidir sobre cada um dos países que integram a Europa comunitária. A ideia é mostrar o melhor de cada Estado-membro.
O ‘Made in Europa’ começou no Sábado passado (com cinco repetições ao longo da semana) na SIC Notícias e pretende dar a conhecer o melhor de cada um dos Estados-membros da União Europeia.
O programa, que conta com o apoio financeiro do Parlamento Europeu, foca diversos aspectos dos vários países e irá prolongar-se ao longo de 27 semanas, incluindo já os novos candidatos Roménia e Bulgária, que irão integrar a UE em Janeiro do próximo ano.
Cada episódio mostra os sistemas de ensino, a indústria e respectivos motores económicos, apresentando várias reportagens, incluindo uma história sobre um artesão ou um produto de raiz nacional, e conta com a participação de um eurodeputado do país retratado.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Portugal favorável à continuação das negociações para adesão da Turquia à UE

Portugal é "favorável à continuação das negociações" de adesão da Turquia à União Europeia (UE), afirmou hoje em Tunes, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.
"Nós temos mantido uma posição de princípio favorável à continuação das negociações com a Turquia e acompanhamos as posições da UE, como é nosso dever", explicou o membro do Governo de Lisboa, que hoje iniciou uma visita de dois dias à Tunísia.
Luís Amado acredita "que no próximo mês" a presidência da UE irá envidar "esforços políticos e diplomáticos para ultrapassar esta situação", desbloqueando o problema.
A Comissão Europeia evitou hoje suspender as negociações de adesão da Turquia, pedindo às autoridades turcas que encontrem uma solução para a questão cipriota até meados do próximo mês.
Tal como Portugal, a Espanha parece defender uma posição favorável à continuação das negociações e poderá ser isso que o primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, irá dizer na Turquia, durante a sua visita oficial que começa no domingo.
De acordo com uma fonte governamental espanhola, citada pela agência AFP, a viagem do chefe do Governo espanhol "acontece num momento crítico" do debate.
"Sempre defendemos a entrada da Turquia na UE", disse a mesma fonte que preferiu não ser identificada.

PUBLICO.PT

segunda-feira, novembro 06, 2006

Comissão Europeia revê em baixa taxa de desemprego

A Comissão Europeia reviu hoje em baixa a taxa de desemprego em Portugal ao longo deste ano, para 7,6 por cento, um valor cinco décimas inferior aos 8,1 por cento divulgados no relatório da Primavera.
Esta revisão em baixa é acompanhada pela revisão em alta do crescimento esperado para a economia portuguesa, de 0,9 para 1,2 por cento, indica hoje o relatório de Outono da Comissão Europeia.
A taxa de desemprego, que esteve a subir rapidamente nos últimos anos, deverá estabilizar nos próximos tempos, de acordo com os dados da Comissão.
Para 2007, a Comissão Europeia prevê que a taxa suba ligeiramente, para os 7,7 por cento, e que aí se mantenha em 2008.
A previsão da Comissão é ligeiramente inferior à do Governo, que estima uma taxa de desemprego de 7,7 por cento este ano.
Os dados da União Europeia antecipam ainda um crescimento de 0,6 por cento do emprego em 2006 e em 2007 e uma queda dos custos unitários do trabalho em 0,2 e 0,5 por cento no próximo ano e em 2008, respectivamente.

PUBLICO.PT